Direção: Djalma Galindo

Duração: 20′

Recife

2017

Arcoverde, sertão de Pernambuco. Um homem conheceu o cinema, trabalhou no cinema e viveu para o cinema. No início dos anos 80 o cinema fechou, e essa foi a maior tragédia de sua vida. Rocky Lane viveu o dilema entre manter a sua própria fantasia ou se despir do personagem e assumir sua identidade real, que pouca gente conhece.

Trata-se de um documentário sobre o funcionário que trabalhou durante 25 anos no Cinema Bandeirante de Arcoverde, sertão de Pernambuco, e que adotou o nome do famoso ator americano dos filmes de faroeste. Nos anos 1950 a 1970, o cinema viveu a Era de Ouro e Rocky Lane fazia a alegria das crianças na cidade incorporando o personagem holywoodiano ao se vestir com o figurino típico e atuar em duelos imaginários. Ele tomava conta do cinema, ia buscar as fitas dos cartazes na estação de trem e morava num quarto atrás da tela. O filme foi produzido com recursos próprios pelo bancário aposentado e cinéfilo Djalma Galindo, que também fora um dos meninos que se encantavam com o personagem. Ele conta conta que no final do ano de 2008, seu irmão Eraldo Galindo, que é historiador e professor da AESA, teve a ideia de entrevistar determinadas pessoas da cidade de Arcoverde para, num futuro, formar uma memória audiovisual de parte da história da cidade. Com uma câmera semi-profissional de fita mini-DV, eles realizaram em 2009 algumas entrevistas, com Dr. Nilson, D. Lala, Nicodemos, Gilson Omena, Everaldo, João Americano, Rocky Lane. Assim, o documentário sobre Rocky Lane surgiu a partir da entrevista realizada com ele. “Rocky Lane era uma figura que me trazia muitas lembranças da minha adolescência e de toda uma geração que frequentara o cinema Bandeirante na cidade de Arcoverde. Os locais escolhidos para entrevistá-lo já encaminharia para uma outra trilha. Tão logo vendo o material em casa, surgiu a ideia de um documentário sobre essa figura tão emblemática para toda uma geração de arcoverdenses. Em 2011 fizemos as entrevistas com familiares, amigos, colegas de trabalho. Foram muitas histórias que dariam outro documentário. O fato é que foi extremamente prazeroso realizá-lo. Pude sentir o quanto Rocky Lane foi querido por seus amigos. As pessoas procuradas para entrevista, ao saberem que se tratava de um trabalho sobre ele, vibravam e colocavam-se à disposição na hora. Todos que colaboraram, jovens que nunca conheceram Rocky Lane, abraçaram a causa – a grana foi pouca – da edição à finalização. Só tenho que agradecer a todos que participaram deste projeto. Sim, é uma pequena homenagem ao grande Rocky Lane, ao cinema, e a todos que viveram para ver.” Rocky Lane morreu em 2011 aos 78 anos.

 

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